Ao final da Dinastia Ming (meio do século XVII), viveu um nativo de Shantung conhecido como Wong Long. Ele era um homem muito patriótico, e como o governo Ming estava prestes a ser deposto, ele sempre estava pensando em abdicar de seu corpo e alma para a defesa de seu país. No entanto, suas tentativas sempre foram fúteis, e seu entusiasmo rejeitado. Então, ele retirou-se para a Montanha Sung e praticou artes marciais no Templo Shaolin, na esperança que um dia isto o ajudaria.

Quando os Soldados de Ching tomaram o poder na China, Wong pensou que este era o momento de se voluntariar e oferecer seus serviços. Entretanto, ele não encontrou nenhuma posição disponível no governo ou no exército. Então, ele retornou ao Templo Shaolin e planejou lutar com forças de guerrilha contra o regime vigente. Infelizmente, seus planos foram descobertos pelos soldados, mas graças à sua habilidade superior, artimanhas e ajuda de colegas, Wong escapou acompanhado de seu instrutor. De maneira a evitar serem capturados, eles tomaram o caminho para as Montanhas Ngo-Mei e Kwan-Lun, eventualmente chegando à Montanha Lao, na província de Shantung.

Após algum tempo, o Sifu de Wong Long faleceu devido à idade avançada e nenhum de seus colegas o sucedeu em seu lugar como instrutor. Para passar o tempo, Wong lutava amigavelmente com seu irmão mais velho de treino, tanto com mãos-vazias, bem como com armas. O irmão de Wong era mais habilidoso e consequentemente Wong era sempre derrotado.

Três anos rapidamente se passaram. Bem preparado, Wong combateu novamente com seu irmão mais velho, e perdeu novamente. Agora, Wong sentiu-se tão envergonhado pensando até em se matar. Então um dia, o irmão mais velho de Wong decidiu viajar e passar algum tempo passeando pelo país. Quando estava saindo, ele disse para Wong treinar muito, pois esperava ver grandes avanços nas habilidades de Wong, ao retornar.

Em um dia quente, Wong sentiu-se entediado em seu confinamento. Então ele pegou sua espada, alguns livros e foi para a floresta. Assim que ele se refrescou e começou a virar as páginas de um dos livros, ele ouviu alguns silvos. Os sons pareciam até desesperados. Wong olhou para cima, e viu em uma árvore alta um louva-a-deus e uma cigarra travando um combate mortal. Utilizando seus fortes membros, e suas garras em forma de gancho, o louva-a-deus atacou a cigarra violentamente. A batalha logo acabou, e a cigarra caiu morta.

Uma idéia passou pela mente de Wong. O louva-a-deus lutou de maneira engenhosa, o timing de seus avanços e fugas foi perfeito; ele utilizou ataques de longa distância e técnicas de aproximação corretamente; ele agarrou e soltou metodicamente. Wong pensou: “Isso não lembra técnicas de luta?”. Então Wong capturou o louva-a-deus e o trouxe de volta ao templo. A partir daí, Wong provocou o louva-a-deus todos os dias com um pequeno graveto. Simultaneamente, ele observou cuidadosamente suas reações.

Sendo um homem analítico e inteligente (e um perito em diversos estilos de artes marciais), Wong logo formalizou que o louva-a-deus utilizava-se de doze métodos principais para ataque e defesa, que hoje são conhecidos como as doze palavras-chave do estilo Louva-a-Deus.

 

O estilo principal que praticamos:  Louva-a-deus do Norte Sete Estrelas

O Kung Fu Louva-a-deus é um dos estilos de kung fu mais praticados em todo o mundo e certamente o mais praticado no Brasil. Possui técnicas de luta eficientes pela velocidade e precisão. É um estilo completo (junção de 18 dos melhores estilos da China no século XVII). Contém grande diversidade de técnicas de mãos livres, armas, lutas e energia interna. Suas principais características são:

  1. estratégias de luta de curta e longa distância

  2. técnicas suaves e rígidas

  3. o ataque se faz simultaneamente à defesa e não de modo isolado.

Toda essa riqueza faz com que muitos praticantes de outros estilos procurem o Louva-a-deus sete estrelas para o aprimoramento em luta.

 

 

 O essencial do estilo louva-a deus do norte

Um dos importantes pontos do louva-a-deus do norte é a combinação do treinamento interno e externo. O treinamento interno consiste no desenvolvimento da energia espiritual  e na força respiratória. O treinamento externo está baseado nas mãos, olhos, corpo e nos passos de pernas.

– Energia espiritual, no louva-a-deus, significa concentrar a mente com total atenção, sem se confundir (busca da plenitude individual).

– Força respiratória significa aquela força que se concentra no “tan tien” (abaixo do umbigo), como energia respiratória que não se perde.

– A eficácia no uso das mãos está na imposição da velocidade dos punhos perfurantes, pois o trabalho lento das mãos é impotente.

– A agudez do “golpe de vista” faz uma perfeita combinação com as mãos, enquanto a desatenção da visão faz perder a atenção.

– O corpo deve ser ativo para virar para um lado e para o outro, pois o atraso do corpo pode gerar irregularidade no movimento.

– A precisão do passo de pernas pode gerar um ataque rápido quando se encontra a oportunidade de ataque e defesa; a imprecisão, por outro lado, gera a perda de controle.

 

Samuel Mendonça (Tradução livre)

Discípulo do grão mestre Brendan Lai/Hong Kong/USA. 9ªGeração do Estilo Louva-a-Deus do Norte Sete Estrelas.

 

 

  •   Nomenclaturas.

Aqui estão alguns termos( nomenclaturas) que são utilizados nas aulas, no Kwoon( local de treinamento). A prática destes termos transcendem ao ambiente marcial. O termo sihing por exemplo, que traz seu significado como irmão mais experiente de arte marcial chinesa, é comumente utilizado também fora do ambiente de treino uma vez que se vivencia a relação de respeito e amizade em todos os momentos quando  há o encontro dos praticantes, em qualquer lugar.

 

 

  1 – Tratamentos de família

 Josi: fundador do estilo de arte marcial chinesa

Sifu: professor/ pai de gongfu/wushu

Sigung: professor do Sifu ( avô)

Sipor: esposa do sigung

  Simo: esposa do Sifu

Sihing: irmão de treinamento mais experiente

Daisihing: irmão de treinamento mais velho.

Sidai: irmão mais novo de treinamento.

Simui: irmã mais nova de treinamento.

Sigung: Sifu do seu Sifu. (avô de arte marcial chinesa).

Sibak: sihing do seu Sifu (tio de arte marcial chinesa).

Sisook: sidai do seu Sifu (tio mais novo de treinamento).

Sibagung: sihing do seu sigung ( tio avô de treinamento).

Sijo: tataravô

Munto: discípulo

Daigee: estudante (praticante de gongfu)

Tosuin: aluno do aluno do Sifu.

 

2 –Técnicas

2.1 Socos

Ton choi: frontal

Pan choi: avalanche

Pek choi: martelo

Pek dzap: martelo

Huen choi: inverso

Chou choi: soco gancho

Tao san choi: soco “rouba coração”

 

3 –   8 grandes bases: (Baht Dai Ma Po)

Ma sic: base cavalo.

Tan san sic: base arco e flecha.

Yap wan sic: base baixa.

Kua fu sic: base gato.

Tai toi sic: base garça.

Tan ta sic: base arco invertida.

Chat sin sic: base 7 estrelas.

 

POEMA

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
O espírito deve ser como o de uma águia pronta para capturar um coelho
A postura deve se assemelhar à de um gato pronto para pegar um rato
A cintura deve ser flexível como a de um dragão
Os braços devem ter a força de um tigre
As pernas devem se assemelhar às do macaco (rápidas e ágeis)
O coração deve se igualar ao de uma raposa (esperto e astuto)
As mãos devem ser como as de um louva-a-deus (rápidas como a luz)

Tradução: Samuel Mendonça
Fonte: Praying Mantis Martial Arts Institute, 20th Anniversary, 1982-2002, Commemorative Issue, New York, NY, USA, 2002.

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